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A Paz é fruto da Justiça




 

 




 


 

Francisco Clerto Alves da Silva, é Pós-graduado em História e Geografia, funcionário público estadual, ocupa o cargo de Orientador da Célula de Desenvolvimento da Escola e da Aprendizagem - CEDEA da Secretaria da Educação do Estado do Ceará - SEDUC. Formado também em Educação Física Escolar pelo Sistema CREF/CONFEF, Clerto Alves está lotado na 8ª Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação - CREDE, na cidade de Baturité - Ceará (cidade de 32 mil habitantes, distante 97 km da capital Fortaleza). Esse espaço tem o objetivo de debater assuntos de relevância social, política e econômica, seja da atualidade, seja de complexão histórica. Sempre pautado pela ética, coerência e contextualização com o nosso tempo.

Sejam todos(as) bem vindos a este espaço - um caminho livre para debates e reflexões. Confira a seguir:

1. Perdemos todos, vamos renovar...

2. Democracia direta é bom e não tem contradições

3. Houve um tempo;

4. Veja como a Globo e os "marinhos" celebraram o Golpe de 1964;

5. Janot pede ao STF prisão de cabeças do golpe no PMDB - o que pesa contra Temer na Lava Jato;

6. O PT errou, a imprensa também;

7. Resumo Histórico de Canindé - uma cidade Romeira

8. Afinal, para que serve a História?


Vamos ao debate...



Escrito por clertoalves às 07h33
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Perdemos todos, vamos renovar

Por: Tarso Genro

Um brilhante artigo do Professor Roberto Amaral, "Os desafios das esquerdas fragmentadas", oferece um roteiro excepcional para o debate que devemos abrir, em defesa da democracia e da república, no momento em que as urnas sinalizam, não somente o fim da hegemonia petista, no âmbito da esquerda, mas eficácia das novas formas de luta – já assumidas em todo o mundo – pela direita conservadora rentista. Esta, aliada com os centros de inteligência neoliberais, pautada pelo oligopólio da mídia, que exige as "reformas" no Estado Social, conta, de um lado, com a decadência das formas tradicionais de fazer política – assumidas pelo PT – como partido hegemônico, e, de outro, com o "cansaço" da democracia, que não consegue mais dar estabilidade a conquistas sociais, nem vitalidade às liberdades políticas.

O PT teve muitas candidaturas dignas e autênticas, como as de Raul Pont e Fernando Haddad – para mencionar apenas duas capitais – e outras tantas por este Brasil afora, mas, em regra, teve um desempenho pífio ou dissolveu-se em alianças regionais de conveniência, sem se dar conta que, na verdade, esta eleição seria um pleito de recomeço e não de continuidade da política de resistência contra o impedimento da Presidenta. Este, de resto, já era (e é) fato político consolidado, mesmo grande parte da população tendo consciência que foi enganada sobre os propósitos da sua derrubada, que ocorreu para que seja feito um "ajuste" profundo, na economia, não para combater a corrupção.

Toda a falência do nosso sistema de alianças pode ser sintetizada num dos exemplos, entre os vários dados pelo professor Amaral, no texto referido: como explicar que o PT, em Olinda, não tenha apoiado Luciana Santos, presidenta nacional do PCdoB, e este partido – em Recife – tenha apoiado o candidato da direita, contra João Paulo do PT, sabidamente um homem do campo da esquerda? Quando se levanta esta perplexidade, não está se buscando "responsabilidades" locais, pois, de resto – em momentos eleitorais – as forças políticas locais se movem pragmaticamente, quando não ocorre uma intervenção de um centro dirigente legítimo. O que está se buscando é visualizar quais as estratégias nacionais, que estes partidos adotam, para "naturalizar" tal fragmentação, bem como o sentido de responsabilidade histórica, que definem na conjuntura atual, para permitir que os seus agentes políticos se movam com esta leveza sem estratégia.

Na verdade, parece que estes partidos do campo da esquerda agem como se o país não transitasse por um processo político de "exceção", como se o Estado Social de Direito não estivesse sendo desmantelado, como se a hidra do fascismo não estivesse levantando uma das suas cabeças, como se o "ajuste" em curso – que integra de forma definitiva o Brasil na tutela do "rentismo" global – (e faz a sua própria base social sólida), fosse um mero acidente de percurso. Na verdade, todavia, é sabido que estes ajustes só são aplicáveis quando as corrupções contingentes, de qualquer Estado, tornam-se modo estrutural definitivo de governabilidade, como está correndo no Brasil.

Não vou dar exemplos da falta de estratégia democrática de outros partidos, mais além do que pontuais, porque a finalidade deste artigo não é, neste momento, travar uma polêmica com os que se colocam "à esquerda", desta aliança do PT com o PCdoB, que deveria informar um sistema de alianças mais amplo, tanto à esquerda como à sua "direita". A ideia é refletir sobre os erros – principalmente do PT como partido hegemônico – no campo que defendeu a ilegitimidade do golpe contra a Dilma e foi o alvo principal de uma sistemática campanha de destruição, pelo oligopólio da mídia, inclusive nos dias próximos à eleição.

Coloco na minha breve abordagem a seguinte pergunta: o que faz o PT – por exemplo -lançar a candidatura em Belém, de Regina Barata (1,71%) – paralela à candidatura de Edmilson, do PSOL (30%) – , numa eleição em que este, homem de esquerda e gestor excelente enfrentava, já no primeiro turno, um forte candidato do PSDB, que hoje é o principal repositório do golpismo pós-moderno, no país? Reputo que com esta postura -independentemente das suas intenções nobres – o PT reflete a mesma concepção de fundo do PSOL (embora o faça com viés burocrático), pela qual ele se avoca o mais importante representante da esquerda, deixando de lado a melhor candidatura, para enfrentar o adversário comum.

Esta posição exclusivista, seja do PT, que chega nela pela via burocrático eleitoral, seja do PSOL – que a defende em vários lugares como uma estratégia socialista – retira do centro do conflito eleitoral a questão democrática, que tinha sido superada na Constituição de 88, agora golpeada por um Congresso sem legitimidade. Se a questão democrática não for, hoje, no país, a questão mais decisiva a ser enfrentada por uma frente política novo tipo – que passe inclusive por dentro dos processos eleitorais – meu raciocínio está errado. Mas, se estou certo, os resultados eleitorais nos centros políticos mais importantes do país consolidaram o Governo Temer, reforçaram o PSDB e atrasaram a unidade popular para enfrentar a exceção.

Quero lembrar, ainda, outro aspecto que me parece extremamente relevante. Trata-se de um fato histórico de alta complexidade, através do qual a questão democrática e nacional, foi retomada pela direita por outra via, pela qual a suposta defesa da nação (contra o comunismo) não se tornou em nenhum momento dominante. Isso permitiu falsear ao extremo os interesses de classe tradicionais, que envolveram os surtos autoritários de períodos anteriores: a soberania popular foi revogada no país, em nome da luta contra corrupção, mas o seu propósito era e é – com ou sem corrupção – aplicar um programa claro de natureza econômica, para integrar de forma profunda o Brasil no domínio do "rentismo" global. Este faz e amplia a sua própria base social e política no processo de reformas, que tem o apoio de diversos partidos e frações de partidos e que tinha se aninhado inclusive dentro do próprio PT.

Em suma, a lição das urnas mostra que a ausência de um partido hegemônico – pela esquerda, com um programa autêntico de construção da nação e capaz de consolidar o Estado Social de Direito – é a principal barreira que devemos superar, para que o campo popular e democrático no país recupere a iniciativa e enfrente o golpismo amplamente vitorioso nas eleições deste ano.

Tarso Genro – é ex-governador do Rio Grande do Sul. Foi ministro da Justiça, da Educação e prefeito de Porto Alegre (1993-1996 e 2001-2002).

 



Escrito por clertoalves às 07h31
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Democracia direta é bom e não tem contraindicações

Por: Plínio Bortolote

Escrevi um artigo para a editoria de Opinião, “Os candidatos”, no qual, em rápidas palavras, apontava os principais pontos que fragilizavam cada uma das principais candidaturas à Prefeitura de Fortaleza. Principais, bem entendido, no sentido de que, possivelmente, entre eles estará o prefeito de Fortaleza.

O ESPAÇO para os artigos de quinta-feira é bastante curto e apenas indiquei uma questão que me parece chave para entender o mal-estar generalizado que faz com que uma boa parte dos brasileiros veja os políticos como meros espertalhões, mais interessados no benefício próprio e no seu restrito grupo do que trabalhar pela melhoria do País e das condições de vida da sua população.

POIS BEM, vivemos sob um sistema em que o eleito, seja do Executivo, seja do Legislativo, recebe um cheque em branco dos eleitores, valendo para todo o mandato, pois não há mecanismos legais suficientes para cobrar uma promessa descumprida, uma proposta apresentada e esquecida ou, simplesmente, não há defesa contra a incompetência, a incúria e a desídia dos políticos.

É PRECISO dar mais poder aos cidadãos, permitindo que opinem e decidam amiúde, sem precisar esperar por quatro anos, isto é, o período do mandato, quando poderão “julgar” o eleito, mas já sem nenhuma possibilidade de desfazer possíveis políticas equivocadas. O eleitor também não tem qualquer mecanismo para dispensar o mandatário corrupto ou mesmo incompetente ou inepto.

ALÉM DA escolha de representantes por meio do voto, o Brasil tem como instrumentos de participação direta no processo político o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular, mas que ainda são pouco usados. Mais: o plebiscito e o referendo só podem ser convocados pelo Senado ou pela Câmara, o que limita a sua aplicação, pois o eleitor não tem como acioná-los diretamente.

PORTANTO, é preciso ampliar e tornar mais fácil a implementação desses mecanismos da democracia direta. Alguns temem que o uso regular desses instrumentos venha a enfraquecer a democracia representativa, o que é um erro. A salvação da democracia representativa está em combinar-se com a democracia direta, permitindo aos cidadãos a efetiva participação na política. Isso alargaria o alcance da democracia tornando o Congresso Nacional e os Executivos em instituições mais próximas das pessoas.

PASSA-SE, por exemplo, por esse processo doloroso do impeachment, pela ausência de um mecanismo constitucional chamado de “recall” ou plebiscito revogatório. Com esse instrumento, determinado número de eleitores tem o direito de convocar uma consulta para decidir se um presidente, governador ou prefeito deve continuar no mandato ou serão chamadas novas eleições.

QUANDO se debate esse tema, outro argumento que surge é que o Brasil é um país muito grande, o que dificultaria a implementação da democracia direta pela dificuldade em se coletar os votos. Ora, essa alegação talvez fizesse algum sentido vinte ou trinta anos atrás. Com o desenvolvimento da tecnologia - hoje cada brasileiro tem um telefone celular -, seria possível desenvolver um sistema seguro para que as consultas se realizassem a custos razoáveis.

NA VERDADE, a demora em adotar a democracia direta não se relaciona à falta de recursos, mas a uma elite que se acomodou a um modo de fazer política absolutamente incompatível com os tempos atuais.

Suíça

A Suíça está comemorando 125 anos da introdução do instrumento da iniciativa popular em sua Constituição, que prevê também outros instrumentos da democracia direta, como plebiscito. Os mecanismos são usados com frequência.

Comparação

Quando dou exemplo, alguns leitores reclamam que não se pode fazer comparações com países ricos. Primeiro, que não é comparação direta, mas uma mostra das possibilidades. Depois, a democracia direta no país helvético iniciou-se no século XIX, quando não era desenvolvido como agora.

Fonte: http://www.opovo.com.br/app/colunas/menupolitico/2016/09/03/noticiasmenupolitico



Escrito por clertoalves às 08h12
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Houve um tempo

Houve um tempo em que se buscaram as dádivas democráticas, o pluralismo partidário e a liberdade de expressão. Nesse tempo, se imaginava um Brasil dos brasileiros, uma terra rica, que deveria ser de todos e para todos. Nesse mesmo tempo, o poder estava nas mãos de alguns e a maioria não tinha tempo nem condiçoes para pensar ou reclamar, precisava trabalhar para pagar as contas, afinal de contas, – me permitam o trocadilho - alguém tem que pagar “a fatura”.  E então, uma parte do que buscávamos chegou: veio uma Constituição Cidadã, vieram os multipartidos e a liberdade de imprensa. No entanto, o Brasil, efetivamente, continuaria não sendo dos brasileiros, assim como nunca o fora. Nossa terra era e continua sendo rica e, até certo ponto, é de todos, mas, jamais seria para todos. A Constituição Cidadã afirma categoricamente que o poder emana do povo. Ledo engano! O poder continua sob os caprichos de alguns. Ah! Quanto à fatura, ela tem que ser paga, e a maioria continua tendo que trabalhar para pagá-la.

Nos idos 1970-1980, um presidente militar disse que “haveria um tempo em que o povo brasileiro sentiria saudade dos militares, pois aqueles que pretendiam conduzir a nação, a queriam para os seus próprios interesses, e não para o povo”. Em parte, ele estava certo. Porém, o fato político consumado em 31 de agosto de 2016 não é recorrente em sua natureza, mas, no modus operandi, é práxis da elite burguesa verde-amarela. Alguém falou certa vez que “o Brasil tem um enorme passado pela frente”. Ora pois, e não foi assim com Getúlio, JK, Jango! Na verdade, Lula é um ponto fora da curva, e era apenas uma questão de tempo para o trio SP-Rio-Minas, com mais alguns apaniguados, reagir. Reagir com veemência. “Perdemos quatro eleições, é provável que percamos a quinta. Isso não será mais admissível! É preciso fazer algo e rápido.” Não importava como, visto que, para “eles”, os fins justificam os meios.

Uma mídia corporativa e um judiciário conservador forma a opinião e legitima respectivamente o “processo”; daí, o passo seguinte, tendo um legislativo “disforme”, é eleger um “rato de esgoto” - aquele tipo que faz o trabalho sujo - para presidi-lo.  Está consolidada a fórmula, basta colocá-la em prática.

Todavia, é importante salientar e esclarecer que, de todo o ocorrido, o “triste fim” da essência democrática, ou seja, jogar na lata do lixo 54 milhões de votos pelo simples desejo de vingança de uma “corja politiqueira”, é o que se tem de mais grave, vergonhoso e lamentável. Grupos políticos, ideologias, projetos de poder... nascem e morrem todos os dias. DESrespeitar o Povo, a vontade popular das urnas, isso sim, é assombroso.

Quando acessamos as redes sociais e vemos pessoas ou grupos das “altas rodas” comemorando o ocorrido, entendemos: estão retomando, mesmo que de forma dissimulada, o poder que sempre julgaram ser “deles” e, doravante, voltarão a dar, ao seu bel-prazer, as cartas do jogo. E não se enganem, o jogo é pesado. Agora, quando nessas mesmas redes sociais, nas ruas ou em qualquer lugar, vemos pessoas das classes “menos favorecidas” validando alegremente tal faceta da elite burguesa nacional, também entendemos que é preciso mais Educação de qualidade para o nosso Povo. E para isso, há necessidade das massas se reagruparem, reconhecerem e corrigirem seus erros; e seguirem adiante. Alexandre Dumas, em seu famoso romance O Conde de Monte Cristo, inspirou o personagem Edmond Dantés a não desistir diante do infortúnio com a frase “Deus me fará justiça”. Os brasileiros podem até aguardar a justiça divina, mas antes precisam agir, de forma organizada, na busca por um país mais justo, fraterno e de oportunidades para todos, independente daqueles que estejam de plantão no Palácio do Planalto. A luta continua.

Por: Clerto Alves



Escrito por clertoalves às 14h58
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Foi assim que os “marinhos” celebraram o Golpe de 64

Globo: Declaração de princípios, versão 1964

Primeiro de abril: Segundo “O Globo”, nascia um paraíso

Editorial de O Globo, em 02/04/1964

Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.

Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ser a garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade, não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada.

Agora, o Congresso dará o remédio constitucional à situação existente, para que o País continue sua marcha em direção a seu grande destino, sem que os direitos individuais sejam afetados, sem que as liberdades públicas desapareçam, sem que o poder do Estado volte a ser usado em favor da desordem, da indisciplina e de tudo aquilo que nos estava a levar à anarquia e ao comunismo.

Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.

Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos. Devemos felicitar-nos porque as Forças Armadas, fiéis ao dispositivo constitucional que as obriga a defender a Pátria e a garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem, não confundiram a sua relevante missão com a servil obediência ao Chefe de apenas um daqueles poderes, o Executivo.

As Forças Armadas, diz o Art. 176 da Carta Magna, “são instituições permanentes, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade do Presidente da República E DENTRO DOS LIMITES DA LEI.”

No momento em que o Sr. João Goulart ignorou a hierarquia e desprezou a disciplina de um dos ramos das Forças Armadas, a Marinha de Guerra, saiu dos limites da lei, perdendo, conseqüentemente, o direito a ser considerado como um símbolo da legalidade, assim como as condições indispensáveis à Chefia da Nação e ao Comando das corporações militares. Sua presença e suas palavras na reunião realizada no Automóvel Clube, vincularam-no, definitivamente, aos adversários da democracia e da lei.

Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.

Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais. Aliaram-se os mais ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em jogo.

A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo. Mas, por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento vitorioso não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer idéia que, enquadrada dentro dos princípios constitucionais, objetive o bem do povo e o progresso do País.

Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos. Confiamos em que o Congresso votará, rapidamente, as medidas reclamadas para que se inicie no Brasil uma época de justiça e harmonia social. Mais uma vez, o povo brasileiro foi socorrido pela Providência Divina, que lhe permitiu superar a grave crise, sem maiores sofrimentos e luto. Sejamos dignos de tão grande favor.




Escrito por clertoalves às 07h52
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Janot pede ao STF prisão de cabeças do golpe no PMDB; o que pesa contra Michel Temer na Lava Jato

Na quarta- feira (1º) da semana passada, eram fortes os boatos de que no dia seguinte haveria prisões em Brasília por conta de investigados na Operação Lava-Jato.

Quase uma semana depois, reportagem de O Globo informa, nesta terça-feira, que o pedido de prisões partiu do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e que teria como alvo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e do ex-presidente da República, José Sarney.

Os pedidos de prisões estariam com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, há pelo menos uma semana. Também foi pedida por Janot a prisão do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A reportagem informa ainda que, para Janot, Calheiros, Jucá e Sarney são suspeito de obstruir as investigações da Lava-Jato.

No caso de Sarney, em função da idade avançada, 86 anos, Janot teria pedido tornozeleira eletrônica.

O procurador teria justificado o pedido na delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que apresenta indícios de que os três queriam limitar as investigações da Lava-Jato.

Gravações

O ex-presidente da Transpetro já derrubou dois ministro de Michel Temer por conta de conversas gravadas entre Sérgio Machado e os ex-ministros Romero Jucá, do Planejamento, e Fabiano Silveira, da Transparência, Fiscalização e Controle.

Propina

Sérgio Machado também contou em delação premiada que pagou pelo menos R$ 70 milhões a integrantes da cúpula do PMDB. Machado disse que pagou a Renan cerca de R$ 30 milhões. Para Sarney, o ex-presidente da Transpetro afirmou ter entregado cerca de R$ 20 milhões. Machado citou ainda que deu R$ 20 milhões a Jucá. O ex-presidente da Transpetro ainda contou aos investigadores da Lava-Jato que o dinheiro entregue a Calheiros, Jucá e Sarney foi desviados da Transpetro.

Neste domingo 17 a Câmara aprovou a abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Por 367 votos a 137, os deputados entenderam que as acusações de crime de responsabilidade procedem e impedem Dilma de continuar a governar.

O vice-presidente Michel Temer, que deve assumir a presidência da República caso o Senado confirme a decisão da Câmara, não deve ter vida fácil, entretanto. Ao contrário de Dilma, ele é citado como beneficiário nos escândalos de corrupção investigados na Lava Jato.

Em planilhas apreendidas pela Polícia Federal na casa de um executivo da Camargo Corrêa, Temer é citado 21 vezes entre 1996 e 1998, quando era deputado pelo PMDB, ao lado de quantias que somam US$ 345 mil.

A investigação ocorreu em 2009, durante a Operação Castelo de Areia, cujo alvo era a empreiteira, e apurava suspeitas de corrupção e pagamento de propina a políticos para obter contratos com o governo. Temer refutou as acusações e a Castelo de Areia não foi adiante.

Em 2014, a Operação Lava Jato prendeu três diretores da Camargo Corrêa e descobriu uma nova planilha que também apontava para Temer e políticos tucanos.

O documento relaciona o vice-presidente a dois pagamentos de US$ 40 mil por projeto de pavimentação em Araçatuba e pela duplicação de uma rodovia em Praia Grande, cada um deles estimados em US$ 18 milhões.

Em 2015, Júlio Camargo, ex-consultor da empresa Toyo Setal, em acordo de delação premiada com a Lava Jato, afirmou que o lobista Fernando Baiano era operador da cota do PMDB no esquema de corrupção da Petrobras, representando principalmente o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e Michel Temer.

No ano passado, o nome de Temer apareceu ligado também à OAS, ao lado de Eduardo Cunha e Renan Calheiros. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, divulgou indícios de que Temer recebera R$ 5 milhões do dono da empreiteira, José Aldemário Pinheiro, condenado a 16 anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A suspeita partiu de conversas registradas no celular de Pinheiro, apreendido em 2014, em que Cunha questiona o empreiteiro por ele pagar os cinco milhões de reais a Temer de uma vez e adiar o repasse aos outros líderes do PMDB.

Essa foi uma das informações que fundamentou a ordem do Supremo Tribunal Federal à Polícia Federal para que fosse deflagrada a Operação Catilinárias, que atingiu as principais lideranças do PMDB, como Eduardo Cunha, Renan Calheiros, o senador Edison Lobão (MA) e os ministros Celso Pansera e Henrique Eduardo Alves.

Em fevereiro deste ano, o senador Delcídio do Amaral (MS), em acordo de delação premiada, envolveu Temer em um caso de aquisição ilícita de etanol por meio da BR Distribuidora, ocorrido entre 1997 e 2001, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

No depoimento, Delcídio afirma que Temer chancelou a indicação de João Augusto Henriques e Jorge Zelada a cargos de direção da Petrobras; ambos foram condenados na Operação Lava Jato, sendo que Henriques é apontado como principal operador do esquema e teria sido apadrinhado por Temer.

Ao não conseguir cumprir sua promessa de redução de cargos federais, o governo Temer aprofunda seu descrédito e acaba tendo que pagar ainda mais caro por apoio parlamentar.

Há dois meses do início da campanha eleitoral nos municípios, soma-se a esse quadro de desgaste a negativa dos parlamentares em votarem medidas de ajuste que comprometam seus próprios interesses eleitorais.

Esta é a dinâmica que tem levado o governo interino, impopular e ilegítimo a uma situação insustentável. Empurra que ele cai!

 



Escrito por clertoalves às 07h50
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O PT errou, a imprensa também

Por: Plínio Bortolote

A crise política em curso desvelou não apenas o esgotamento de um sistema político e a crise violenta de um partido, que surgiu prometendo romper com esse estado de coisas, mas deixando também a nu um bando de políticos que, entra governo, sai governo, só pensa neles mesmos, nos seus apaniguados e em seus interesses particulares. Se, para manter tais privilégios, é necessária uma quartelada, bate-se às portas dos quartéis para bulir com os granadeiros; se o tempo da manu militari passou, tortura-se a lógica até fabricar um argumento “constitucional” para apear do poder o governante (no caso “a”) legitimamente eleito.

Por trás, os de sempre: as elites rentistas e industriais, que gostam do “choque de capitalismo” nos outros, mas continuam encostadas no Estado. E, na falta de militares, que, ajuizados, recolheram-se à sua missão constitucional, apela-se para uma trupe de deputados, possuidores de verdadeira ficha corrida, tendo à frente deles o “delinquente” (nas palavras do procurador-geral da República) Eduardo Cunha. Qual o problema? O instrumento e os meios não importam, mas o fim, que é a “salvação nacional” (deles), com “ordem e progresso”, e sem falar em crise, pois a palavra tornou-se proibida.

A tropa de choque dessa turma é um segmento da classe média, que fica com as sobras do banquete, batendo panela (eventualmente incensando Bolsonaro), mas sonha com o andar de cima, enquanto vai àscompras em Miami. Óbvio que PT precisa fazer profunda análise dos terríveis erros cometidos (corrupção grossa incluída), pela profunda frustração causada em seus eleitores e na dívida que sempre lhe pesará sobre os ombros por ter traído propostas centrais de seu próprio programa. O reconhecimento dos erros talvez permita seguir em frente, juntando os cacos, pois, apesar de tudo, é um dos poucos agrupamentos no Brasil que se constitui como verdadeiro partido. Ademais, é preciso reconhecer que o PT mudou o País em vários aspectos, fazendo ascender os de baixo, com seus programas sociais, incluindo a possibilidade de jovens pobres e negros terem acesso à universidade.

Se a política, políticos e partidos foram reprovados no teste, a mesma crítica cabe à imprensa, cuja atuação deve ser questionada neste dramático episódio que ainda se desenrola. Sem levar em conta os que se dizem jornalistas, porém são militantes (dos dois lados) - alguns fazendo um papel verdadeiramente ridículo, que envergonha o jornalismo -, é fato que a cobertura foi bastante desequilibrada em favor do impeachment. Por essa tese, uniram-se os principais jornais, redes de TV e de rádio, e a esmagadora maioria de seus comentaristas políticos, que, em vez de analistas, viraram militantes de uma causa. Com isso, a imprensa ofereceu uma visão parcial e distorcida, que não foi capaz nem de enxergar com espírito crítico a votação circense na Câmara de Deputados (17/4/2016), que instaurou o processo contra a presidente.

A imprensa internacional deu uma visão bem mais abrangente e diversificada dos acontecimentos, incluindo suas representações no Brasil, como é o caso dos portais do El País (Espanha), BBC (Reino Unido) e Deutsche Welle (Alemanha). Essa amplitude de análise, cobertura mais contextualizada e equilibrada, foi sonegada pela imprensa brasileira de seus leitores, ouvintes e telespectadores.

Fonte: http://www.opovo.com.br



Escrito por clertoalves às 07h28
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Resumo Histórico de Canindé - uma cidade Romeira

Basílica de São Francisco das Chagas

Basílica de São Francisco - símbolo religioso da cidade

Canindé é um município brasileiro do estado do Ceará, localizado na microrregião do Canindé, mesorregião do Norte Cearense. É a cidade na qual ainda se festeja uma das mais antigas festas religiosas do Brasil: a Festa de São Francisco das Chagas.

Toponímia

A palavra Canindé vem do tupi-guarani kanindé, e tem várias significações:

  • a tribo de índios missionados e que, primitivamente, habitam as margens dos rios Banabuiú e Quixeramobim;
  • uma grande tribo de Tarairius, que vivia na região central do Ceará pelo sertões de Quixadá, Canindé e Alto Banabuiú, Quixeramobim;
  • segundo Paulino Nogueira: uma espécie de arara de plumagem amarela, chamada guacamaio ou um psitacídeo (Arararaúna).

Sua denominação original era São Francisco das Chagas do Canindé e, desde 1914, Canindé.

História

A região das nascentes e margens do rio Curu e seus afluentes, bem como do os afluentes do Choró, era habitada por índios de origen Tapuia: Jenipapo, Kanyndé. A partir do século XVII, os portugueses começaram a ocupar estas terras, via o sistema de sesmarias, para a criação de gado e a lavoura no ciclo econômico de carne de sol e charque.

Em 1775, o sargento-mor português, Francisco Xavier de Medeiros, estabeleceu-se às margens do Rio Canindé, e logo depois iniciou a construção de uma capela em honra a São Francisco das Chagas, que é o marco histórico e religioso de Canindé.

Esta capela ficou pronta em 1796, depois de disputas jurídicas e paralisações devido a Seca dos Três Setes (1777) e também a seca de 1793. A primeira imagem de São Francisco, que veio de Portugal, é mais conhecida como São Francisquinho.

Geografia

Clima

Tropical quente semi-árido com chuvas concentradas de fevereiro a abril. A precipitação pluviométrica média anual é 756 mm. Temperatura máxima de 32 °C e mínima de 24 °C (médias)

Hidrografia e recursos hídricos

As principais fontes de água fazem parte da bacia do rio Curu e Metropolitana, sendo os princiapis afluentes os rios: Canindé, Curu, Choró, Salão, Batoque, Cangati, Juriti; os riachos: dos Grossos, das Furnas, da Conceição e outros tantos. Existem ainda diversos açudes, dentre eles: Ipueira da Vaca, Logradouro II, Salão, São Mateus, Caracas, Sousa e Barra Cacão (todos da Bacia do rio Curu). No momento, está sendo construído o Açude Escuridão. 1 Adutora (Adutora Canindé) e 220 poços.

 Relevo e solos

Solos:Não-cálcico (55,14%), litólicos,planossolo solódico (12,52%) e podzóiico vermelho-amarelo (4.04%).

Subdivisões

O município é dividido em dez distritos: Canindé (sede), Bonito, Caiçara, Capitão Pedro Sampaio, Esperança, Iguaçu, Ipueiras dos Gomes, Monte Alegre, Salitre e Targinos.

Economia

Em seu território, foram encontradas ocorrência de jazidas de berilo (empregado como pedra semipreciosa nas indústrias de equipamentos espaciais e usinas atômicas); calcário (encontrado em forma cristalina), cianita (utilizado na fabricação de porcelana); espodumênio (que é uma das fontes do lítio); grafita granada, lepidolita (que é fonte de obtenção do lítio), moscovita (mica-branca), quartzo, quartzo-róseo, ametista (que é uma variedade do quartzo), feldspato (usado na fabricação de porcelana e cerâmica branca) e rutilo.

Outra importante fonte de renda é o turismo religioso.

Cultura

O principal evento cultural é a festa do padroeiro: São Francisco das Chagas -, popularmente conhecida como a Romaria de Canindé. Uma das festas religiosas mais antigas do estado de Ceará.

Um grande evento religioso na qual Canindé recebe todos os anos cerca de 2,5 milhões de romeiros franciscanos de todo o país, sendo a cidade com a maior romaria franciscana da América Latina. Ainda hoje é conduzida solenemente a imagem grande de São Francisco, mais conhecida como São Francisquinho, na tradicional procissão do dia 4 de outubro, durante a Festa de São Francisco das Chagas. A cidade possui também a maior estátua de São Francisco de Assis do mundo, que mede 30,25 m de altura.

Outro importante evento acontece em janeiro, quando Canindé recebe vários turistas de todo o Ceará para o tradicional baile do Hawaí (Hawaí Folia). Uma espécie de carnaval fora de época, que sacode toda a cidade e região. Outras festas são a Festa das Flores, a Festa do Coco, o Carnaval da Saudade e a Festa do Município, esta última celebrada anualmente no dia 29 de julho, data de fundação da cidade.

O teatro também faz parte da cultura local. Todos os anos acontece o espetáculo "Francisco: O homem que se tornou santo" - maior espetáculo teatral ao ar livre do Ceará. Conta com cerca de 300 pessoas, entre atores, figurantes e técnicos, que se dividem no palco para contar a história de seu padroeiro. O jovem Francisco Bernardone é representado pelo o ator canindeense Jucélio Nell. O espetáculo fica em cartaz todos os anos nos finais de semana de setembro e outubro.

Esporte

Sem representantes nas divisões do Campeonato Cearense de Futebol, Canindé possui apenas uma liga amadora de futebol e o Estádio Frei Teodoro, usado em algumas partidas. Clubes conhecidos da cidade são o Fluminense Futebol Clube (bairro Santa Luzia), a Associação Desportiva Santa Cruz e o América Futebol Clube (bairro Alto Guaramiranga), e o Maguari.

No futsal, a cidade destaca clubes como o Cruzada/Canindé e o Educandário Sagrada Família. Anualmente, acontecem o Torneio dos Bairros e o Torneio Intermunicipal, ambos de futebol de salão. Quadras colegiais e, principalmente a quadra do CSU (Centro Social Urbano) de Canindé, são utilizados em diversos eventos poliesportivos.



Escrito por clertoalves às 21h22
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Afinal, para que serve a História?

Compreender o passado, pode acontecer de diferentes formas.

No seu primeiro dia de aula, provavelmente na segunda fase do ensino fundamental, um professor de História entrou em sala para discutir a importância do estudo dessa matéria. Tal discussão, sem dúvida, é importante. Afinal, as questões e modos de se investigar o passado nessa nova fase do ensino passam a ser mais complexas e você, enquanto indivíduo em formação, já se mostra tentado a levantar algumas questões mais profundas sobre o que aconteceu no passado.

Sabemos que muitos por aí aprenderam que a História é importante para que não cometamos os mesmos erros do passado, para que tenhamos a oportunidade de organizar o agora e o porvir de modo mais seguro. Sob tal perspectiva, o estudo dos fatos consumados teria um valor estratégico. Em outras palavras, essa ideia sugere que a análise e a crítica do passado determinam o alcance de um futuro livre das mazelas que um dia nos afligiu.

De fato, ao observar esse tipo de uso para o passado, somos tentados a romantizar a História como ferramenta indispensável ao progresso. Contudo, seria mesmo correto dizer que a compreensão do passado garante verdadeiramente uma sociedade ou uma civilização mais aprimorada? Se assim fosse, toda a mazela que a Primeira Guerra Mundial trouxe para a Europa incutiria a “lição” de que uma Segunda Guerra Mundial não deveria acontecer. Mas não foi bem assim que as coisas se deram, não é?

Percebendo esse tipo de incoerência é que temos a chance de intuir que a História não tem essa missão salvadora de alertar ao homem sobre os erros que ele não pode cometer novamente. Na verdade, antes de acreditar que as sociedades e civilizações já cometeram um mesmo equívoco duas vezes, devemos entender que esses homens que são objetos de estudo do passado não pensam, sentem, acreditam ou sonham da mesma forma através dos dias, anos, décadas, séculos e milênios.

Sendo assim, a noção de progresso atribuída à História deve ser abandonada em favor de uma investigação dos valores, das relações sociais, conflitos e outros vestígios que nos mostram a transitoriedade e a mutação dos contextos em que os fatos históricos são consumados. É desse justo modo que passamos a entender que o homem e as sociedades que lutaram e sofreram na Primeira Guerra Mundial não são exatamente os mesmos que surgiram no cenário da Segunda Guerra Mundial.

Feita essa reflexão, não devemos chegar ao ponto de pensar que os contextos e períodos em que a História decorre são radicalmente distintos entre si. De uma época para outra, podemos notar que as sociedades não abandonam seu antigo modo de agir para incorporar uma postura completamente inovadora. Em cada período é necessário reconhecer as continuidades e descontinuidades que mostram a força que o passado possuiu enquanto referencial importante na formação dos indivíduos e das coletividades.

Ao realizar esses apontamentos, não devemos acreditar que o passado não passa de um jogo caótico controlado por jogadores (no caso, os homens) que não sabem definir suas próprias regras. Antes disso, é muito mais interessante notar que esse jogo tem feições múltiplas e que as formas de reconhecer a natureza de suas regras podem se transformar de acordo com a forma que olhamos para o passado.

Sendo assim, a investigação do passado se transforma em um grande debate em que cada interessado tem a oportunidade de mostrar uma riqueza inédita sobre um mesmo tema. Na medida em que isso acontece, não só temos a chance de pensar sobre aquilo que o homem já fez, mas também temos uma maneira curiosa, mesmo que seja pela completa diferença, de debater os nossos valores e questionar o agora com os “olhos” de nossos antepassados.



Escrito por clertoalves às 22h25
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